Escritório brasileiro reforma espaço com estrados e materiais reciclados

Oficina-reciclada-pallets-1
Fotos: Alexandre Dotta.

Por Paula Alvarado.

Para que seus funcionários tivessem um espaço mais agradável para relaxar no ambiente de trabalho, uma empresa de marketing esportivo de São Paulo, a Latin Sports, encomendou um projeto de reforma à arquiteta Simone Tasca.

Em apenas dois meses, um depósito abandonado, úmido e escuro se transformou nesta encantadora e luminosa sala reciclada.

Oficina-reciclada-pallets-2

Entre suas características verdes, está uma parede coberta com ladrilhos recuperados de demolições, dispostos de forma assimétrica, que conferem uma sensação aconchegante ao ambiente.

No centro do espaço, há um grande sofá, fabricado com estrados recuperados de diferentes alturas. Apesar de não ser projetada para servir como cama, a estrutura pode aproveitar melhor o espaço em um apartamento pequeno como um charmoso sofá-cama.

As laterais dos estrados oferecem espaço para guardar revistas ou livros.

Oficina-reciclada-pallets-3

Oficina-reciclada-pallets-4

Uma coleção de azulejos retrô foi disposta aleatoriamente na parede da cozinha, onde a arquiteta executou outra ideia interessante: duas mesas quase iguais, de alturas e comprimentos diferentes, foram encaixadas para formar uma só mesa extensível com rodinhas nos pés, um refeitório facilmente ampliável.

Oficina-reciclada-pallets-5

Oficina-reciclada-pallets-6

Todo o espaço foi iluminado com lâmpadas LEDs de baixo consumo energético.

No pequeno lavabo, em vez de um espelho grande, a arquiteta optou por dezoito pequenos, comprados em uma feira, criando uma parede de espelhos. Um balde de metal serve como cuba para a pia.

Oficina-reciclada-pallets-7

Apesar de ter sido projetada para um escritório, a sala (vía Construir mais por menos) é tão completa que passaria facilmente por um apartamento de 60 metros quadrados.

Eduardo Galeano: “Há um outro mundo que nos espera”

Eduardo Galeano fala na Praça Catalunya em Barcelona.

Cingapura cria jardins em arvores de metal

O espaço urbano floresce dentro de uma perspectiva tecnológica em Cingapura. Isso porque o governo está construindo— e não plantando — 18 árvores gigantes em uma área de 408 mil m² para o projeto Gardens by the bay (“jardins na baía” em português).
Os troncos hi-tech, feitos de estrutura metálica e com altura que varia de 25 a 50 m, vão abrigar cerca de 226 mil espécies de flores e plantas – estas, sim, de verdade — de todo o mundo. O ecossistema urbano também terá um passeio para receber o público a 22 m do chão, entre as copas que prometem dar um show de luzes e música à noite.
Projetado pelo escritório britânico Grant Associates, o jardim vertical vai oferecer sombra, abrigo e, principalmente, controle térmico à área a partir do fim de junho — por enquanto, só as estruturas estão armadas e, aos poucos, vão receber a flora mundial. As copas vão coletar a água da chuva para reúso e também serão equipadas com painéis fotovoltaicos para gerar energia solar, usada para esfriar os controles de água e luz das esculturas ecológicas.
* via Architizer

Motoristas e Pedestres – em busca de uma convivêncida pacífica

O ponto de encontro entre motoristas epedestres é quando estes cruzam a via. Os conflitos daí decorrentes podem envolver multa, suspensão da licença de dirigir, ferimentos e mortes, cassação da licença e prisão do motorista. Existe uma teoria, jácomprovada na prática, que diz que nos pontos onde são muito freqüentes os conflitos entrepedestres e motoristas acabará acontecendo um atropelamento. Nem sempre pedestres e motoristas são responsáveis por esses conflitos. A sinalização inadequada, assim como irregularidades na via e deficiências no veículo, podem contribuir decisivamente para que surjam conflitos e aconteçam atropelamentos.

A falta de educação de pedestres e motoristas, responsáveis por comportamentos arriscados no trânsito, contribui, e muito, não só para gerar conflitos, como para radicalizá-los, onde eles são inevitáveis. Não há condições, por exemplo, de um veículo entrar ou atravessar uma via transversal de tráfego intenso, sem sinalização, a não ser parando o veículo por um instante em cima da faixa de pedestres. Dependendo do volume e intensidade do tráfego na via preferencial, o tempo de parada pode ser longo. É necessário que o pedestre entenda isso e contorne o veículo por trás, até que se coloque a faixa de pedestres um pouco mais afastada do cruzamento. E não provoque o motorista compalavrões ou socos e tapas na lataria do carro. Todavia, nas conversões, onde não existe sinal para pedestre, é necessário que o motorista entenda que deve dar a preferência de passagem ao pedestre, como determina o código de trânsito, pois em locais de grande movimento, caso os motoristas insistam em inibir o pedestre, esse não consegue atravessar a via.

Não são poucos os pedestres que atravessam fora da faixa. Às vezes o fazem porque a faixa está muito longe. Ora, o novo código determina que a travessia seja feita pela faixa se essa estiver a uma distância de até 50 metros. Em muitos locais a distância entre faixas é bem superior a 100 metros. Se o pedestre atravessar a via no meio, ele estará a mais de 50 metros das faixas e não estará infringindo o código. Muitos motoristas não sabem disso; tampouco os pedestres. Mesmo que estivesse errado, o pedestre não deve ser atropelado. É uma punição que vai feri-lo seguramente, mas também pode torná-lo aleijado, ou até mesmo matá-lo. Pedestres e motoristas desconhecem as leis da física e as conseqüências da velocidade de impacto sobre o atropelado.

Educação no trânsito tem duas vertentes: primeira, conhecimento teórico de regras e treinamento prático nas ruas; segunda, criação de valores que envolvem amor à vida e ao próximo. A primeira pode ser ministrada em escolas e em cursos especiais; a segunda, vem de dentro do indivíduo e resulta de sua vida familiar. Também pode ser desenvolvida posteriormente, mas exige trabalho bem mais complexo que a simples divulgação de normas, regulamentos e treinamento nas ruas. Nem sempre é bem sucedida. Resultado: pedestres e motoristas emocionalmente despreparados para uma convivência social harmoniosa. O pedestre, colocando sua própria vida em risco. O motorista, transformando-se em sério perigo para a sociedade. Testes psicológicos devem ser-lhe aplicados e negada à licença de dirigir a todo cidadão que não revelar condições para fazê-lo comtranqüilidade e segurança. Afinal, dirigir não é um direito natural. É um privilégio dado somente aos capazes física e psicologicamente.

O código determina que os órgãos responsáveis pelo trânsito respondam objetivamente por danos causados aos cidadãos “em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro“. É obrigação moral de todos nós, na condição de motoristas epedestres, apontar deficiências e irregularidades existentes em nossas vias pública que possam colocar em risco o trânsito seguro. São nossas vidas e saúde que estão em jogo. Ao fazer isso devemos receber uma resposta conforme determina o novo Código de Trânsito Brasileiro:
“Art. 72. Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código.  Art. 73. Os órgãos ou entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito, dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não de atendimento, esclarecendo ou justificando a análise efetuada, e, se pertinente, informando ao solicitante quando tal evento ocorrerá.”


Infelizmente, são poucos os cidadãos e cidadãs que utilizam esse meio direto de reivindicar e participar de forma a elevar os padrões de segurança e conforto de nosso trânsito. Já no Artigo 1º. do novo código fica caracterizada a responsabilidade objetiva das autoridades públicas que constituem o Sistema Nacional de Trânsito pela segurança dos que transitam em nossas vias públicas. É bom lembrar que na definição de via fica claramente estabelecido que nela também se incluem as calçadas:” VIA-superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais,compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central.” A responsabilidade objetiva transfere o ônus da prova à entidade pública com jurisdição sobre a via. Em outras palavras, nãocompete ao cidadão provar a existência do risco denunciado, mas ao órgão público avaliá-lo e demonstrar que o risco não existe ou se está dentro de padrões aceitáveis, ou ainda, se for o caso, adotar medidas suficientes para eliminá-lo.

Arquitetos poloneses criam projeto diferenciado de albergue

O escritório polonês de arquitetura e design UGO está com um interessante projeto de albergue para a cidade de Barcelona, na Espanha. O empreendimento foi idealizado para se integrar à paisagem como se fosse uma montanha. Sendo assim, bastante atraente para o seu público alvo, os apaixonados por natureza e aventura.

Batizado de “Barcelona Rocks” se for construído terá 100 metros de altura e sua fachada, feita de blocos de pedra, será coberta por vegetações e ninhos de passarinhos. Os hóspedes poderão escalá-lo e, se desejarem, será possível até mesmo passar a noite acampando no topo dele.

No projeto, o albergue tem 50 quartos com grandes janelas que permitem a eles serem banhados por iluminação natural. Além disso, irá contar com uma estrutura bastante confortável com piscina, academia de ginástica, centro de escaladas para iniciantes, spa, cinema e um pub.

O empreendimento foi desenvolvido para a competição internacional “Bohemian Hostel For Backpackers” ocorrida em 2011 e, se deixar de ser apenas um projeto, tem tudo para englobar a lista dos cartões-postais da cidade como a interessante igreja “Sagrada Família”.

Inacreditável decisão do Supremo Tribunal Federal

O Supremo Tribunal Federal entende que, numa colisão ou atropelamento com vítima fatal, o homicídio só vai ser considerado doloso se o motorista alcoolizado tiver bebido com a intenção premeditada de ganhar coragem para matar a vítima!!

Para o Tribunal, pegar no volante totalmente bêbado não tem nenhum problema. Se alguém morrer por causa disso, será uma simples fatalidade do Destino. Que pena!

Posso, então, pegar uma carreta e sair dirigindo por aí de olhos fechados, mas, claro, sem a intenção premeditada de matar alguém?  Afinal de contas, eu gosto tanto de dirigir carretas de olhos fechados como outras pessoas gostam de beber. Entendi direito?

Caso você não consiga acreditar no que acabou de ler, confirme na própria página do Tribunal.

INSS entra com 1ª ação para cobrar pensão de motorista infrator

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ajuizou nesta quinta-feira a primeira ação para cobrar de um motorista infrator os valores que foram gastos com o pagamento de benefício previdenciário para os dependentes de vítimas de acidente de trânsito.

Folha antecipou em setembro que o governo se preparava para dar início a esse tipo de processo com o objetivo de ressarcir a Previdência Social dessas despesas. De acordo com o caso, o INSS paga aposentadoria por invalidez ou auxílio-acidente para as vítimas e, quando há morte, pensão para os familiares. Atualmente, o órgão gasta R$ 8 bilhões por ano com os acidentes de trânsito no país.

INSS quer cobrar pensão de motorista infrator
STF reafirma que dirigir bêbado é crime

A ação foi ajuizada pelo ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, pelo presidente do INSS, Mauro Luciano Hauschild, e pelo procurador-chefe da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS (PFE/INSS), Alessandro Stefanutto.

A expectativa do governo com esse processo, movido na Justiça Federal do Distrito Federal, é de um ressarcimento superior a R$ 1 milhão. O acidente ocorreu em 2008 na rodovia DF 001, que liga Taguatinga a Brazlândia, cidades-satélite de Brasília. Cinco pessoas morreram e outras três tiveram lesões graves. O INSS arca com as pensões por morte aos dependentes das vítimas.

A previsão é que a medida seja repetida em todo o país a partir de 2012. Segundo o ministro Garibaldi Alves Filho, a iniciativa é educativa e visa promover a redução do número de acidentes de trânsito nas estradas e rodovias.

EMBRIAGADOS

O principal alvo dessas ações, chamadas de regressivas, são motoristas que tenham causado acidentes graves –com mortes e lesões sérias– e que, assim, respondam por crime doloso ou culpa grave.

Além disso, serão visados aqueles que tenham causado acidentes por dirigir embriagados, em alta velocidade ou por participarem de rachas.

O INSS pretende fechar convênios, nos próximos meses, com os Ministérios Públicos estaduais, as Polícias Civis dos Estados e com os consórcios de seguro obrigatório (DPVAT). O objetivo é realizar um levantamento de casos pontuais causados por graves infrações a legislação de trânsito.

Tire dúvidas sobre radares de fiscalização de velocidade

Há pouco mais de um mês, vias urbanas e rodovias brasileiras não são mais obrigadas a ter placas alertando para a existência de radares fixos e móveis. Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que entrou em vigor em 22 de dezembro passado derrubou a exigência existente desde 2006. No entanto, os equipamentos de fiscalização não podem ficar escondidos.

As placas de velocidade máxima continuam existindo. Na cidade, elas são obrigatórias nas vias fiscalizadas. Na estrada, quando não houver aviso, valem os limites previstos no Código de Trânsito Brasileiro, de limite máximo de 110 km/h para carros, caminhonetes e motos.

A norma do Contran mudou ainda a exigência de estudo prévio para radares móveis em rodovias. Agora, qualquer ponto pode ser fiscalizado. Além disso, tais aparelhos podem ser instalados mesmo em trechos de rodovias sem sinalização da velocidade máxima permitida. “Os radares móveis servem para resolver problemas pontuais, como obras e operações de feriados, que exigem a fiscalização imediata, mas não necessariamente permanente”, explica o conselheiro Jerry Dias, do Contran.

arte radar infográfico (Foto: Arte G1)

O argumento do Contran para a mudança é tentar reduzir o número de acidentes, já que muitos motoristas aproveitavam o aviso dos radares para ultrapassar a velocidade máxima permitida em pontos não cobertos pelo equipamento. E, pior, quando avistam o radar, freiam bruscamente. A obrigatoriedade das placas foi exigida até 2003, quando uma resolução suspendeu a regra, que só passou a vigorar novamente há 5 anos.

“Algumas pessoas falam que a mudança visa colaborar com a ‘indústria das multas’, mas para a nossa visão, do Contran, só existe indústria de multa quando há infratores. Quem conduz dentro da lei não corre o risco de tomar multa. As velocidades máximas devem ser respeitas pela própria segurança das pessoas. Cabe ao cidadão fazer a sua parte”, afirma Dias.

Dias esclareceu algumas dúvidas sobre radares; veja abaixo perguntas e respostas:

radar alameda jaú (Foto: Raul Zito/ G1)
Em São Paulo, há vias com radares onde não há placa de velocidade. Nesse caso, os aparelhos multam por outras irregularidades, como o rodízio.Acima, radar na Alameda Jaú (Foto: Raul Zito/ G1)

A nova lei dispensa somente as placas de aviso de radares de velocidade máxima?
Sim. Com a nova lei, as placas de aviso de radares de velocidade não são obrigatórias. Com isso, o que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) quer é que o condutor tenha o hábito de respeitar o limite de velocidade.

Quando as placas de indicação de velocidade são obrigatórias nas vias?
Para a fiscalização por meio de radares de velocidade valer, as placas com a indicação de velocidade máxima são obrigatórias apenas nas cidades, porque são vias onde o condutor não consegue classificar de acordo com o que está no Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece limites para ruas, avenidas, alamedas, vias de acesso etc. No entanto, as estradas podem ser fiscalizadas sem a existência de placas de velocidade, já que o tipo de via é claro. De acordo com Artigo 61 do Código, quando não há placas de velocidade máxima em rodovias, o limite máximo para automóveis, caminhonetes e motocicletas é de 110 km/h. Já o limite para ônibus e microônibus é de 90 km/h. Veículos de carga, como caminhões, podem rodar em, no máximo, 80 km/h.

O que fazer quando receber uma multa por exceder o limite na cidade em um local onde não há placas de velocidade?
Primeiramente, a pessoa deve recorrer da multa ao Detran local, conforme estabelece o Denatran. Para ter provas, é aconselhável a anexação de fotos do local. Se, mesmo assim, a multa não for cancelada, é preciso acionar órgãos de defesa do consumidor como o Procon ou até mesmo o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça.

lombada eletrônica (Foto: Raul Zito/ G1)
Lombada eletrônica pode multar desde que informe a velocidade do carro que passa por ela e a velocidade limite (Foto: Raul Zito/ G1)

Placas com redução de velocidade são obrigatórias próximas a lombadas eletrônicas?
Sim. Como a finalidade das lombadas eletrônicas é de que as pessoas reduzam a velocidade, há a obrigatoriedade da sinalização informando os novos limites.

A nova resolução permite que radares fiquem escondidos?
Não, pelo contrário. A operação do radar tem que estar visível, o equipamento não pode estar escondido. Ou seja, “pegadinhas” são contra a lei.

Quais são os tipos de radares de velocidade?
São quatro tipos:
Fixos: redutores (lombadas eletrônicas) e controladores de velocidade, que são instalados de maneira permanente. Precisam de um estudo prévio para justificar o investimento antes de serem colocados no local.
Estáticos: equipamento fica em veículo parado ou sobre um tripé. Popularmente, eles são chamados de “móveis”.
Móveis: o aparelho fica no veículo do órgão fiscalizador. Ele existe no Brasil, mas não é muito utilizado. Com ele, o agente pode andar com o veículo e conseguir medir a velocidade dos carros que passam. No entanto, este tipo de radar só pode ser operado em trechos onde não haja variação de velocidade em espaço de até cinco quilômetros.
Portáteis: é aquele equipamento que o agente direciona para o veículo e já registra a velocidade, não necessariamente gera imagem.

Todas as multas de velocidade precisam apresentar a foto do veículo no ato da infração?
De acordo com a lei, os radares fixos e estáticos para controle de velocidade e a lombada eletrônica devem tirar, obrigatoriamente, fotos do veículo durante a infração. No caso ainda da lombada eletrônica, o aparelho precisa ter um display indicando a velocidade do veículo, o que dá condição de o condutor comparar com aquela ‘ndicada no velocímetro do carro.

radares mistos (Foto: Raul Zito/ G1)Uma mesma estrutura pode ter mais de um radar, para fiscalizar diferentes infrações (Foto: Raul Zito/ G1)

Radares de velocidade podem “acumular funções”, como registrar placas de rodízio ou passagem pelo sinal vermelho?
Radares de velocidade só registram quem ultrapassar o limite. No entanto, em uma mesma estrutura, como um poste, é possível colocar mais de um tipo de equipamento, desde que sejam homologados para trabalhar em conjunto.

Radares podem multar quem não pagou o licenciamento ou o IPVA?
Não. A fiscalização de pagamento de licenciamento e IPVA por aparelho só serve para alertar o órgão que o veículo está irregular. Ele funciona com sistema semelhante ao que identifica as placas irregulares em rodízio, mas é utilizado apenas como um controle interno do órgão de trânsito ou para “filtrar” os carros que passarão por uma blitz.

Sobre GPS ‘avisar’ sobre radar
O Contran esclareceu ainda se é ou não proibido utilizar GPS que aponte onde estão os radares. Segundo o órgão, os mapas instalados nos aparelhos não são irregulares. O que é vetado, e considerado infração gravíssima, é o uso do chamado aparelho anti-radar, que emite ondas e, segundo o conselho, pode interferir nos radares.

O desafio da faixa de pedestres

Travessia na Rua Benjamin Constant, no centro: sem semáforo e sem o respeito dos motoristasTravessia na Rua Benjamin Constant, no centro: sem semáforo e sem o respeito dos motoristasDaniel Marenco/Folha Imagem

A prefeitura de São Paulo iniciou, há seis semanas, campanha para estimular o respeito à faixa de pedestres. O ideal seria que campanha de igual propósito, com determinação, estardalhaço e continuidade equiparáveis aos da propaganda da Coca-Cola, tivesse sido desencadeada lá atrás, em algum ponto da década de 70, quando tomou corpo o avanço avassalador dos automóveis na ocupação dos espaços urbanos — e o correspondente recuo das condições de segurança e conforto para a circulação dos pedestres.

Mas vá lá — antes tarde do que nunca. Dezenove pessoas são atropeladas por dia em São Paulo. Foram 7.007 no ano de 2010. Seiscentas e trinta morreram. No desenho no asfalto em que se alternam listras claras e escuras, como pele de zebra, conhecido universalmente como faixa de pedestres, concentra-se um desafio aos paulistanos que diz respeito à integridade física e à vida, mas também a algo mais — é um desafio civilizacional. No dia em que os motoristas aprenderem a respeitá-lo, teremos subido de patamar no quesito da pacífica e respeitosa convivência entre os habitantes da cidade — não por acaso chamados de cidadãos (na origem, os habitantes das cidades), e dos quais se espera um comportamento não por acaso chamado de civilidade (de ‘civitas’, cidade em latim).

Luis Cleber

Pedestre socorrido após sofrer atropelamento ao lado do Teatro Municipal: quase duas ocorrências fatais registradas por dia

Pedestre socorrido após sofrer atropelamento ao lado do Teatro Municipal: quase duas ocorrências fatais registradas por dia

A campanha da prefeitura, iniciada em 11 de maio, concentra-se, por enquanto, em 300 cruzamentos compreendidos na primeira das oito Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre, como foram batizadas as áreas da cidade consideradas mais críticas para a convivência harmoniosa entre veículos e pessoas. Essa primeira zona, onde a campanha se desenvolve em caráter piloto, se estende entre o centro e a região da Avenida Paulista, perfazendo um total de 14 quilômetros quadrados.

Nela, os “orientadores de trânsito” da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) exercem sua vigília, engalanados com a inscrição “Dê preferência à vida. Respeite o pedestre” sobre o colete amarelo, armados com uma mãozinha de plástico que lhes serve de cancela para fazer parar os carros, e às vezes secundados por uma equipe de mímicos contratados para, com seus gestos, educar a população. A campanha consiste ainda em placas com a inscrição “Na conversão à direita, a preferência é do pedestre”, em palestras para motoristas de ônibus e de táxis e na distribuição de folhetos, não nos cruzamentos, porque a Lei Cidade Limpa o impede, mas em estações de metrô e em repartições públicas.

Dará certo? A campanha se inicia com vulnerabilidades que levam a duvidar de sua eficácia. Para começar, a faixa de pedestres que interessa, na qual se encontra o X da questão, é a faixa desacompanhada de semáforo. A outra modalidade, a faixa amparada por um semáforo, conta com um aliado dotado do maior dos instrumentos educativos — a punição. Passou no sinal fechado, é multa. Muitas vezes, nem precisa estar presente o guarda; a multa é disparada por radar. Faixa de pedestres amparada por semáforo, por essa razão, é em geral respeitada.

O repórter Daniel Salles, de VEJA SÃO PAULO, observou por quatro horas o cruzamento do Viaduto do Chá com a Rua Líbero Badaró, onde um semáforo vigia sobre a faixa de pedestres, e não presenciou nenhum caso de desrespeito ao semáforo ou de avanço sobre a faixa.

Fernando Moraes

Cruzamento na  Avenida Paulista, diante do Conjunto Nacional: nem os semáforos inibem o avanço dos carros no espaço que não é deles

Cruzamento na Avenida Paulista, diante do Conjunto Nacional: nem os semáforos inibem o avanço dos carros no espaço que não é deles

Ao não estabelecer diferença entre a faixa com e sem semáforo, a campanha comete seu primeiro erro. É a faixa sem semáforo que, em São Paulo como em quase todo o Brasil, costuma ser ampla e irrestritamente desrespeitada. Pela boa regra internacional, basta o pedestre pôr o pé na faixa, e o motorista é obrigado a dar-lhe passagem. A faixa é como o pique na brincadeira das crianças. Pôs o pé ali, e o pedestre garante sua imunidade. Vá um europeu ou americano imaginar que tais princípios, tão simples e claros, vigoram em São Paulo.

Já com a campanha em andamento, a prefeitura inventou de recomendar às pessoas que levantem o braço, em sinal de que vão atravessar a rua. Fora a publicação de portaria a respeito no “Diário Oficial”, no entanto, pouco se fez para divulgar a novidade. De resto, mesmo que se fizesse, como esperar seu cumprimento, se não há sanção a quem desrespeitá-la? O Código de Trânsito estabelece que o desrespeito à faixa de pedestres é infração “gravíssima”, punível com multa de 191,54 reais e 7 pontos na carteira. Alguém já viu um motorista ser multado porque desrespeitou a faixa quando não há semáforo?

Fernando Moraes

Mímica contratada pela CET no Viaduto do Chá: erro de dar mais destaque à educação do pedestre que à do motorista

Mímica contratada pela CET no Viaduto do Chá: erro de dar mais destaque à educação do pedestre que à do motorista

Entre fevereiro e abril, a CET realizou uma pesquisa desenvolvida em duas etapas. Diante de uma faixa sem semáforo, um pesquisador observava o comportamento do motorista. Outro, poucos metros adiante, entrevistava o mesmo motorista, perguntando-lhe se costumava respeitar as faixas. Noventa por cento dos motoristas não pararam na faixa; mas, na entrevista, 76% disseram que costumam respeitá-la. Como explicar a discrepância? Estariam mentindo? A distração e a ignorância soam como apostas mais consistentes — distração porque já nem mais reparam naquele sinal no chão, mero adorno, desprovido de poder de coação; e ignorância porque, para muitos, aquela seria apenas a marcação do lugar em que preferencialmente os pedestres deveriam atravessar a rua, desde que não haja carros passando.

Ao concentrar esforços na faixa com semáforo, a campanha da prefeitura erra no foco e desperdiça munição. É nesses locais, e só neles, que se desenvolve a mais vistosa ação, a da equipe de três mímicas e um mímico, alocados cada dia num cruzamento. Nas faixas sem semáforo, a campanha restringe-se à atuação mecânica e, coitado, boboca, do “orientador de trânsito”, que ora dá o sinal de parar aos motoristas, ora faz o inverso. É o substituto humano do semáforo, cuja ação “educativa” se limitará ao período em que estiver lá. Saiu, acabou. Ele não possui instrumentos que garantam o respeito dos motoristas para além de sua presença. Ao centrar fogo na faixa com semáforo, só residualmente enfocando a outra, a prefeitura faz como o catequista que se concentrasse num grupo em que a maioria já é convertida, deixando de lado os pagãos.

Nilton Fukuda/AE

Ação da prefeitura na Rua Sete de Abril, no centro: faltou acenar com futuras punições

Ação da prefeitura na Rua Sete de Abril, no centro: faltou acenar com futuras punições

Outro erro é dar mais destaque à educação do pedestre que à do motorista. É para os pedestres que as mímicas, de saia florida, blusa listrada e cara pintada de branco, esticam os braços, quando o sinal está vermelho, ou os afastam, com um largo sorriso, quando fica verde. Quando um pedestre descumpre a regra e arrisca atravessar entre os carros, elas batem os pés ou o encaram com o dedo em riste. Para os motoristas, a performance não passa de distração semelhante à proporcionada pelos malabaristas e comedores de fogo. Ora, são os carros que agridem e matam. São eles a parte forte do confronto. No dia em que forem educados, a educação do pedestre virá por gravidade. O tratamento deveria ser no mínimo equitativo, e de preferência mais intenso para o lado do motorista; de preferência maior ainda, muito mais intenso.

Fernando Moraes

Avenida Sapopemba, na Água Rasa: a indisciplina também pode ser combatida

Avenida Sapopemba, na Água Rasa: a indisciplina também pode ser combatida

Outro erro, o mais clamoroso, é a campanha não acenar com futuras punições. Campanha para valer seria a que fixasse um prazo a partir do qual a ação educativa daria lugar à aplicação de multas. Foi o que ocorreu em Brasília, a única capital brasileira em que a população aprendeu a respeitar a faixa de pedestres — um exemplo que será esmiuçado mais adiante. A CET informa que está, sim, em seu horizonte aplicar multas, mas não informa nem quando nem como. A questão estaria “em estudo”, o que revela indecisão com relação a um item que já deveria constar da campanha desde o início. Não há educação que não acene com a punição ao infrator. Se, ao destinar seus melhores esforços às faixas com semáforo, a campanha descambava para o desperdício, com a falta de perspectiva de multa condena-se à inutilidade.

Aos erros da campanha somam-se outros, antigos, aqueles que se foram acumulando ao longo dos anos e hoje configuram um entulho difícil de remover. Um deles está na colocação das faixas. Na esquina da Avenida Paulista com a Rua Frei Caneca, um desamparado “orientador de tráfego” cumpria, dias atrás, a mecânica tarefa que lhe foi designada. Sinal para cá, e os motoristas se detinham; sinal para lá, e os pedestres é que aguardavam sua vez. Não há semáforo naquele ponto. Ou melhor, naquele momento havia: ele mesmo fazia as vezes de sinal vermelho e de sinal verde. E quando ele for embora? Se os motoristas forem aguardar o momento em que não há nenhum pedestre com o pé na faixa para avançar, esperarão o dia inteiro. O fluxo de pedestres ali não dá trégua. É igualmente considerável o número de carros que, vindos da Paulista, dobram à direita na Frei Caneca. Se se dispuserem a parar até os pedestres lhe darem uma chance, provocarão monumental congestionamento às suas costas, na Paulista.

Fernando Moraes

Faixa ao lado da Praça da Sé: nem sempre o sinal deve ficar exatamente na esquina das ruas

Faixa ao lado da Praça da Sé: nem sempre o sinal deve ficar exatamente na esquina das ruas

O que ocorre é que a faixa está evidentemente no lugar errado. A situação ali pede um reestudo das travessias em todo o quarteirão. Casos semelhantes se multiplicam pela cidade. Ao longo dos anos, as faixas foram salpicadas no asfalto como faria um chimpanzé munido de um balde de tinta e uma tela. Campanha realmente para valer exigiria a prévia revisão geral da localização das travessias. Nem sempre a faixa deve ficar exatamente na esquina; muitas vezes, ela seria mais eficaz se colocada mais para o meio do quarteirão.

Também se poderiam imaginar soluções que diferenciassem a faixa com semáforo da faixa sem semáforo. A faixa zebrada teria melhor uso se fosse exclusiva dos cruzamentos sem o apoio do semáforo. Quando há semáforo, bastaria uma linha que indicasse o ponto que os motoristas não devem ultrapassar. É a solução adotada, entre outros países, na Inglaterra. A faixa zebrada, elegante e soberana, tal qual a que é atravessada pelos quatro Beatles na histórica capa do disco “Abbey Road”, é malversada em São Paulo como adorno ao pé dos semáforos. Em Londres, nas calçadas que margeiam a faixa zebrada, há postes encimados por globos que se acendem e apagam. Com isso, mais ainda se chama a atenção do motorista. Em São Paulo, o mesmo papel poderia ser desempenhado por amarelos pisca-pisca.

Caso se chegue à conclusão de que a população é ineducável e as faixas onde não há semáforo são caso perdido, a solução extrema seria acabar com elas. Semáforos seriam alocados em todos os cruzamentos. Ocorre que a população é, sim, educável. Não há nada no DNA brasileiro que a torne incapaz de entender e de observar as leis de trânsito. Prova-o o exemplo de Brasília. Tantos casos de atropelamento se acumularam na cidade que, em 1996, o jornal “Correio Braziliense” iniciou uma campanha contra os desmandos dos motoristas. As notícias de atropelamentos passaram a ser publicadas na primeira página. Na mesma edição, vinham editoriais e comentários. A alturas tantas, o jornal convocou uma passeata, à qual compareceram de 25.000 a 30.000 pessoas.

Monique Renne/CB/D.A PRess

Cruzamento em Brasília: resultados positivos após uma campanha conduzida com competência e determinação

Cruzamento em Brasília: resultados positivos após uma campanha conduzida com competência e determinação

O governo da cidade demorou, mas acabou aderindo à causa. Primeiro, cobriu as vias expressas com radares, para coibir os excessos de velocidade. Em seguida, em janeiro de 1997, iniciou campanha para o respeito à faixa de pedestres. Note-se que as faixas, em Brasília, são em grande parte sem semáforo, para não atravancar o tráfego nas numerosas vias expressas. A campanha consistiu em anúncios nos meios de comunicação e na ação de guardas que orientavam os motoristas. Mas desde o início estes foram avisados de que, a partir de abril, seriam aplicadas multas. Milagre! O motorista brasiliense aprendeu que, ao avistar um pedestre com um único pé na faixa, no simples gesto de iniciar a travessia, deve parar. Justamente de Brasília, de onde vêm tantas más notícias, veio a excelente nova de que o brasileiro não difere geneticamente do suíço. Como o outro, está equipado para decodificar o significado de uma faixa zebrada e atender ao que ela reclama.

Milagre? Mais exatamente apenas o resultado lógico de uma campanha conduzida com competência e determinação. Catorze anos passados, em Brasília continua-se a dar a mesma atenção à faixa de pedestres. Em 2010, registraram-se apenas sete mortes por atropelamento em todo o Distrito Federal. Nos últimos catorze anos, 77. Para garantir o bom comportamento, o braço repressor segue em alerta. No ano passado, foram aplicadas 3.512 multas por desrespeito à faixa. Outro efeito, mais inesperado, da reengenharia operada na cabeça do motorista brasiliense, é que ele passou a sentir orgulho ao parar na faixa. Pelo menos nesse aspecto, sentiu-se equiparado a um cidadão de Genebra ou de Estocolmo.

Eis o que a prefeitura de São Paulo está perdendo, ao lançar uma campanha frouxa, com foco equivocado e metas indefinidas — um resultado, junto à população, semelhante ao da Lei Cidade Limpa. No princípio, os paulistanos se mostraram divididos. O sucesso da lei, ao cabo de uma campanha bem planejada e executada com prazos e punições bem definidos, os fez orgulhosos de habitar uma cidade preocupada com a poluição visual. Azar da prefeitura que, do jeito que as coisas se apresentam, o fenômeno não se repetirá desta vez. Azar do prefeito.

Entidades de defesa do pedestre mostram-se pessimistas. “Acho difícil a ação funcionar sem multa, e Brasília provou isso”, diz o presidente da Associação Brasileira de Pedestres (sim, isso existe), Eduardo José Daros. Cássia Fellet, animadora do movimento Pedestre Primeiro, escreveu em seu blog: “Os próprios processos de gerenciamento de trânsito deveriam ser revistos, caso a caso, como o tempo para as travessias, o lapso de abertura dos faróis e o desenho das travessias. Somente uma ação que integre mudanças nesse sentido e que envolva uma estratégia integrada e ampla poderia trazer as consequências que esperamos: a redução dos atropelamentos e das mortes no trânsito”.

É curiosa e sintomática a existência de entidades como a Associação Brasileira de Pedestres. Curiosa porque, ora, ora, pedestres somos todos nós. Mal comparando, é como se existisse uma Associação dos Seres Humanos. Mas também sintomática porque indica, acertadamente, que os seres humanos, quando passam da condição de pedestre a motorista, encaram a nova condição como promoção. Ganham o direito de, na suposta hierarquia de usuários das ruas, assumir a posição dominante.

Azar da prefeitura, azar do prefeito e azar, sobretudo, da cidade. Para quem não entendeu ainda, ao falar em faixa de pedestres não se está falando de faixa de pedestres. Ou melhor: não se está falando apenas de faixa de pedestres. Faz alguns anos, graças ao bom desempenho da economia, o Brasil recebeu o investment grade das agências internacionais de gerenciamento de risco — uma recomendação para que se invista no país. Não há agências que meçam o nível civilizacional de um país ou de uma cidade. Mas a observância da faixa de pedestres consistiria num item importante para a obtenção de um civilizational grade. Um argumento a favor de nos esforçarmos para tal conquista seria lembrar que daqui a três anos teremos por aqui uma Copa do Mundo. O planeta nos estará observando. É hora de aprimorar nosso status civilizacional.

Não. O argumento é oportunista e colonizado. Antes de nos preocuparmos com o que os outros pensam de nós, preocupemo-nos com nós mesmos. O paulistano, ao longo dos anos, aprendeu a ver a cidade, preferencialmente, como um espaço de circulação. São Paulo é aquele lugar que fica entre minha casa e o local de trabalho. Importa deslocar-me de um para o outro. E dá-lhe carro, dá-lhe via expressa. Quanto mais carros, mais vias expressas, que atraem mais carros, que pedem mais vias expressas. Não há conversa mais frequente, entre os paulistanos, do que “o trânsito”.

Ora, a cidade, este mais fundamental dos inventos humanos, concebido para as pessoas morarem umas junto às outras, e não isoladas, como no campo, é lugar de troca, de encontro nas praças e, pasmem os paulistanos, de contemplação. Assim foi concebida lá atrás, na Antiguidade, e assim frutificou, em esplêndidos exemplares, na Idade Média e no Renascimento. O desrespeito à faixa de pedestres, demonstração de prepotência e ameaça de violência contra quem anda a pé, é expressão daquilo que mais estamos perdendo — a cidade.

NÚMEROS DA TRAGÉDIA

7.007
pessoas foram atropeladas em São Paulo em 2010, uma média de dezenove por dia

630
atropelamentos fatais foram registrados na cidade no ano passado, quatro vezes mais que em Nova York

13,6
milhões de reais é quanto a CET gasta por ano com a manutenção de faixas de pedestres

69%
foi a porcentagem da queda em atropelamentos na região central entre maio e junho,
em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a CET

1.040
será o total de novos orientadores de travessia que a prefeitura promete contratar nos próximos meses
O QUE PODERIA SER FEITO

- Um amplo e cuidadoso reestudo da alocação das faixas em que não há semáforo

- O anúncio, amplamente alardeado, de que multas para o desrespeito às faixas, especialmente as não amparadas por semáforo, serão aplicadas a partir de determinada data

- A reserva da faixa zebrada apenas para quando não há semáforo; quando há semáforo, bastaria uma linha que indicasse onde os carros devem parar

- Nas áreas mais críticas, o reforço da faixa não semaforizada com um pisca-pisca amarelo

Fonte : Veja.com

CET cria ”puxadinhos” azuis para calçadas

Objetivo é aumentar a área para pedestres em cruzamentos com grande movimento; inspirado em Nova York, projeto-piloto começou pelo centro

Imagem

Fonte: Estadão

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a testar uma solução barata e rápida para estender a área das calçadas: pintar o asfalto com tinta azul. O objetivo é diminuir a distância da travessia dos pedestres em curvas e cruzamentos movimentados de São Paulo. Um projeto-piloto foi feito nesta semana na esquina da Rua Capitão Salomão, na frente do Largo do Paiçandu, no centro. 

Segundo a CET, os motoristas que desrespeitarem a nova área serão multados. A infração é considerada gravíssima, rende R$ 574,61 de multa e sete pontos na carteira de habilitação.

Delimitada por uma faixa branca e 17 balizadores cilíndricos de plástico, a área azul começa na sarjeta e termina no meio da rua, adicionando cerca de 50 metros quadrados de espaço exclusivo para quem está a pé. Essa calçada improvisada permite a travessia em menos tempo em um ponto da via sem semáforos. A ideia foi trazida de Nova York.

Após duas semanas de pesquisas, que incluem entrevistas com os pedestres e avaliação do respeito dos motoristas à novidade, técnicos da CET decidirão se vão implantar o “puxadinho” azul em outros pontos da cidade. As próximas esquinas que devem recebê-lo são a da Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Geral, a da Rua Quirino de Andrade com o Largo da Memória, ambas no centro, e a das Ruas Pedroso de Moraes e Morás, em Pinheiros, na zona oeste. Vias ao lado da Praça da Sé também podem ganhar a novidade. 

Pedestres. ”Não tinha reparado, mas, pensando bem, acho que vai facilitar um pouco a vida dos pedestres”, disse a advogada Maria Matalobos, de 28 anos, ontem à tarde. O contador José Milani, de 62, criticou a iniciativa. “Acho um certo desperdício. É bem provável que esses cilindros sejam derrubados logo pelos carros e demorem para ser trocados”, afirmou.

Esse é um dos aspectos que levam o engenheiro de tráfego Sergio Ejzenberg, mestre em transportes pela Universidade de São Paulo, a questionar a ideia. “À medida que os balizadores forem quebrados, a continuidade da área será perdida, expondo os pedestres.” Além disso, diz, as calçadas devem ficar acima do nível da rua. “Assim, se um carro vem na direção da calçada, dependendo da velocidade e do ângulo, a guia pode jogá-lo de volta para a pista.” 

Ejzenberg tem dúvidas sobre se o “puxadinho” é amparado no Código de Trânsito Brasileiro. A CET informou que sim. “É como uma calçada e, se os veículos desrespeitarem, a gente pode enquadrar, com multa”, diz Luiz de Carvalho Montans, gerente de segurança de trânsito da CET.